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Capítulo 1 – Introdução
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A presença de aluminofosfatos (variscites) é assinalada pela primeira vez em Portugal
em formações silúricas e relacionada a sua ocorrência com as sequências vulcano –
sedimentares de Trás-os-Montes (M
EIRELES
et al.
, 1987).
No sector espanhol, estas mineralizações hidrotermais são detalhadamente estudadas,
bem como a sua relação com o vulcanismo e demais mineralizações associadas (M
ORO
B
ENITO
& A
RRIBAS
, 1980; M
ORO
B
ENITO
, 1988; M
ORO
B
ENITO
et al
., 1992, 1994a, 1994b,
1995). Quanto ao estudo das mineralizações de ferro do Ordovícico, há a destacar os
inúmeros trabalhos de detalhe realizados nos níveis de ferro e nos metassedimentos
ordovícicos encaixantes no sector de Latedo, Alcañices, abarcando uma diversidade de
vertentes: metalogenia, mineralogia, geoquímica e metamorfismo, estratigrafia e
paleontologia, paleogeografia e geotectónica (F
ERNÁNDEZ
& M
ORO
,
1991;
F
ERNÁNDEZ
et
al.
,
1992;
F
ERNÁNDEZ
& M
ORO
,
1993;
F
ERNÁNDEZ
,
1994;
F
ERNÁNDEZ
& M
ORO
,
1995a,
1995b; F
ERNÁNDEZ
et al.
, 1995; F
ERNÁNDEZ
&M
ORO
, 1998).
Entretanto, também em Espanha, diversos sectores da sinforma de Alcañices foram
estudados, fundamentalmente do ponto de vista da geologia estrutural e metamorfismo
(V
ACAS
& M
ARTÍNEZ
C
ATALÁN
,
1987; A
NTONA
& M
ARTÍNEZ
C
ATALAN
, 1990; V
ILLAR
A
LONSO
, 1990).
No seguimento dos trabalhos de cartografia do Paleozóico encaixante do maciço de
Bragança, em M
EIRELES
et al
. (1995) é lançada nova proposta de revisão da sequência
litoestratigráfica do autóctone envolvente do maciço de Bragança, definida por R
IBEIRO
(1974). Estas unidades silúricas – devónicas, consideradas então como pertencentes ao
autóctone (Domínio do Douro Inferior), passam a ser consideradas como pertencentes ao
parautóctone. É definido o carreamento da Ribª de Silos, acidente da base de uma sequência
tectonoestratigráfica marcada por uma tectónica pelicular. Concomitante a este trabalho,
G
ONZÁLEZ
C
LAVIJO
(1997, 2006) apresenta, em tese doutoramento, o estudo
litoestratigráfico e estrutural da sinforma de Alcañices, na região transfronteiriça. Neste
trabalho confirma-se a grande importância da tectónica de escamas de cavalgamento na
sinforma de Alcañices.
Em 2000 são publicadas
as cartas geológicas de Espinhosela (1ª edição) e Deilão (2ª
Edição) (M
EIRELES
, 2000a, 2000b).
G
ONZÁLEZ
C
LAVIJO
& M
ARTÍNEZ
C
ATALÁN
(2002)
apresentam uma síntese
acerca das
condicionantes tectónicas sobre a sedimentação pré a sinorogénica, na sinforma de
Alcañices.
Recentemente, foram apresentadas novas propostas sobre a estrutura interna e
sequências tectonoestratigráficas do complexo de mantos parautóctones particularmente no
sector de Murça – Mirandela (P
EREIRA
, 2000, R
ODRIGUES
et al
., 2003a, 2003b, 2006a,
2006b, 2006c; R
ODRIGUES
, 2008).
Relativamente aos dados paleontológicos, até há poucos anos, para além dos trabalhos
pioneiros de N
ERY DELGADO
(1908), os únicos trabalhos de datação existentes no
Paleozóico envolvente do maciço de Bragança eram os trabalhos de R
OMARIZ
(1969) e de
M
EDEIROS
(1950, 1975), realizados com base, respectivamente, no estudo de graptólitos do
Silúrico desta região e na icnofauna e macrofauna do Ordovícico da Serra das Barreiras
Brancas.
Com o advento das novas cartas geológicas desta região, intentou-se uma tímida
reapreciação destes dados, particularmente no que respeita ao Ordovícico (M
EIRELES
,
2000a, 2000b). A descoberta de novas jazidas fossilíferas e reinterpretação da estratigrafia
ordovícica começaram a ser esboçadas em S
Á
et al
.
(2002) e S
Á
et al
.
(2003b).
O recente trabalho de S
Á
(2005) representa um ponto de viragem fundamental, um
importante contributo quanto ao estudo da icno e macrofauna do Ordovícico de Trás-os-
Montes. Neste trabalho, para além da descoberta de novas jazidas fossilíferas, são definidas
Carlos Augus o Pinto de Meireles