Capítulo 1 – Introdução
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A orientação geral no quadrante N110º-N130º das estruturas variscas, nomeadamente
clivagens, eixos de dobramento, carreamentos e cavalgamentos associados à instalação das
nappes
alóctones do maciço de Bragança, são também importantes no condicionamento da
morfologia. Particularmente estes acidentes tectónicos, rejogados como falhas normais na
tectónica alpina, com abatimento do bloco sul, estabelecem contactos entre diferentes
litologias com comportamento distinto face à erosão (Figura 1.8). No bloco ocidental da
falha BVM é bem patente esta condicionante, com a distinção de três superfícies de erosão:
Montesinho, Espinhosela e Escusanha – Soutelo (M
EIRELES
et al
., 2002b; P
EREIRA
et al
.,
2003; P
EREIRA
, 2006).
No entanto, a tectónica alpina tem uma influência muito importante na morfologia
desta região: a falha Bragança – Vilariça – Manteigas (BVM) é a condicionante com mais
destaque no controlo da paisagem. Assim, esta estrutura, de rumo NNE, origina uma
escarpa de falha com soerguimento do bloco ocidental e abatimento a leste, com a formação
de um
graben
na região de Baçal, zona abatida à cota de 600 – 700 metros, designada
localmente de Baixa Lombada (Estampa 2.2). Desta superfície de Baçal, definida sobre os
gnaisses do maciço de Bragança e claramente limitada pelas falhas de BVM e da Aveleda,
a oeste e a leste respectivamente, e a sul pelo carreamento da base do monte de S.
Bartolomeu, considerado um relevo residual, transita-se para norte para a superfície de
Onor-Aveleda com a superfície de aplanamento a rondar os 850 metros de altitude,
modelada em depósitos Terciários, com basculamento para sul. Sensivelmente à mesma
cota (850 - 900 metros) é definida a superfície de Rio de Onor em xistos silúricos (P
EREIRA
et al
., 2003; P
EREIRA
, 2006).
O limite oriental deste
graben
é definido claramente pela falha da Aveleda. É notória a
presença de alinhamentos fotogeológicos de orientação N80ºE tanto a afectar os
metassedimentos paleozóicos como os gnaisses de Baçal (Figura 1.7). Para leste da falha da
Aveleda estes alinhamentos terão funcionado como falhas normais, escalonadas, com
abatimento do bloco norte, dos quais se sobe para o planalto de Babe à cota de 900 – 950
metros, conhecido localmente por Alta Lombada. A passagem para este planalto revela
estar condicionada pelos seguintes conjuntos de falhas: a) falha da Aveleda – Gimonde de
rumo N10ºW, correspondente a um desligamento direito oblíquo; b) alinhamentos N10ºE,
que funcionam como falhas normais, com abatimento do bloco oeste; c) um terceiro
alinhamento, N70º-80ºE, mais antigo, pois aparenta estar afectado pelos outros acidentes e
com abatimento dos blocos norte (M
EIRELES
, 2000a).
Mais para leste, na região de Deilão, e para norte, em Rio de Onor ocorrem relevos de
dureza que podem alcançar os 1000 metros. Nesta superfície ocorrem restos de depósitos
sedimentares Plio-Quaternários. Deste patamar atinge-se a Serra das Barreiras Brancas
(1077 metros), antecâmara para os relevos da Serra da Culebra. Entre Babe e Quintanilha
está representada a Superfície Fundamental à cota dos 700 -750 metros e com depósitos
Mio-Pliocénicos da Formação Bragança com maior expressão na região de Vimioso, mais a
sul (P
EREIRA
, 1997, 1999a, 1999b).
No bloco ocidental desta falha, os restos da superfície de aplanação situam-se à cota
dos 900-950 metros (Figura 1.8). Contudo neste bloco, condicionadas pelos cavalgamentos
variscos, as cotas sobem para NE, definindo-se três superfícies de erosão constituindo a
última a serra de Montesinho (1481 metros) como um bloco superior da Meseta (R
IBEIRO
,
1966,
in
R
IBEIRO
et al.
, 1987) e não propriamente um relevo residual do Maciço Ibérico
(P
EREIRA
, 1997). Quanto às restantes, a
superfície de Espinhosela é delimitada a nordeste
pelo contacto tectónico entre os gnaisses da sinforma de Espinhosela e os metassedimentos
do parautóctone. A oeste é delimitada pelo rio Tuela (P
EREIRA
et al.
, 2003). A sul, pelo
contacto tectónico desta sinforma e a falha E-W, Bragança – Vinhais. A superfície de
Soutelo, entre os 1000 e os 1150 metros, também apresenta condicionamento tectónico