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pensamento, crítica e criação

53

5 Jan. 1998

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Corunha
Galiza

Documentos Sonoros # 2

Sobre língua, cultura e política na Galiza.
Entrevista ao professor Ricardo Carvalho Calero

Pedro-Milhám Casteleiro e Antom Malde

1990

Apresentamos aqui em formato sonoro RealAudio 5.0 a que possivelmente foi a derradeira entrevista feita ao professor Ricardo Carvalho Calero (1910-1990), Catedrático de Galego da Universidade de Santiago de Compostela durante vários anos, filólogo, escritor, e um dos principais defensores da plena reintegração do idioma e cultura da Galiza com o mundo lusófono.

A entrevista, na que Carvalho Calero conversa sobre língua, cultura e política e sobre os laços históricos e actuais entre a Galiza e Portugal, foi realizada por Pedro-Milhám Casteleiro e Antom Malde a começos de 1990, poucas semanas antes do falecimento do professor.  Uma pequena parte dela foi publicada na efémera revista Folhas de Cibrao (nº 1, 1990).  Nós reproduzimos a entrevista integralmente, em breves segmentos correspondentes a cada pergunta, que transcrevemos para um melhor seguimento.

Para poder escutar as gravações em tempo real precisa de uma placa de som e do programa reprodutor gratuíto RealPlayer 5.0, que pode baixar do site internacional em português (Brasil) ou do site em inglês. O reprodutor está disponível nos principais sistemas operativos e é muito singelo de instalar.

A reprodução destes arquivos em RealAudio funciona por meio do sistema chamado http streaming, pelo qual o seu computador vai reproduzindo o som em tempo real conforme este vai chegando, apenas com uma demora de uns segundos ao começo de cada segmento. Na reprodução em tempo real, o RealPlayer não guarda os arquivos permanentemente no seu computador. No entanto, pode seguir navegando por Çopyright ou por outros lugares na medida em que o permitir a largura de banda.

De cada segmento da entrevista fizemos duas codificações em RealAudio 5.0: uma gravação de qualidade média (para transmissão por módems mais lentos), e uma de boa qualidade. Quaisquer dos segmentos podem ser escutados em tempo real ou baixados ao seu computador. Se escolher esta segunda opção, o procedimento mais singelo que tem para escutar a entrevista é (1) guardar este arquivo sr053.htm no directório da sua eleição, e (2) dentro deste directório, criar um sub-directório com o nome audio onde baixará os arquivos sonoros cc01a.ra, c02a.ra... (ou cc01b.ra, cc02b.ra...).

COMO BAIXAR AS GRAVAÇÕES AO SEU COMPUTADOR. Carregue na opção baixar de cada segmento com o botão direito do rato, e escolha no menu a opção Guardar, Guardar objectivo ou Arquivar. Dependendo do seu navegador, o arquivo terá a extensão .ra ou .ram. Depois, já off-line, pode abrir o RealPlayer para escutar os segmentos.

Ficamos muito agradecidos ao Pedro-Milhám por facilitar-nos a gravação original e permitir a sua reprodução.  Esperamos que a difusão das palavras do professor Carvalho Calero contribuam para o conhecimento sem prejuízos da proposta reintegracionista, de funda raigame no pensamento da Galiza desde os anos 30, e de crescente relevância num mundo que precisa da união livre dos povos sem submissões nem vassalagens.

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Sobre língua, cultura e política na Galiza.
Entrevista ao professor Ricardo Carvalho Calero

Documentos Sonoros # 2
em RealAudio


Pedro-Milhám Casteleiro e Antom Malde

1990


Conexão
a 14.400

Conexão
a 28.800
ou mais

Duração

ENTREVISTA COMPLETA

ESCUTAR ESCUTAR 60 m.

1
PEDRO-MILHÁM CASTELEIRO: Uma primeira pergunta, para abordar o tema, seria uma pergunta mui global. Que significaria para você o facto da Gallaecia, da Gallaecia como fenómeno natural? E que significava para o galeguismo do tempo do Partido Galeguista, e para o galeguismo da actualidade, segundo você?


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6 m. 29 s.

2
P.-M.C.:  Perfeito. Uma segunda pergunta, que estaria em conexão directa com esta, é se pensa que é correcto, hoje em dia, esquecer, pois, dentro dum marco de actuação nacional, a esses territórios da Galiza exterior, concretamente a parte asturiana, a parte do Berço e o norte de Portugal.

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2 m. 19 s.

3
P.-M. C.:  Em directa conexão com tudo isto, por que pensa você que há gente que opina  que é melhor renunciar a esses territórios e a esta actuação e a esta constante relação, e centrarmo-nos no que temos, ou seja, nessa mentalidade absolutamente “de sillón”, centrar-se nas quatro províncias?

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 2 m.

4
P.-M. C.:  Que ideologia está detrás de tudo isto? Quiçá um regionalismo encoberto de autonomismo?

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2 m. 05 s.

5
P.-M. C.:  A este respeito, que supõe já propriamente o reintegracionismo linguístico? Que solução, digamos, global pode trazer, em particular a nível cultural?

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5 m. 05 s.

6
P.-M. C.:  E se todo este tema, desde um ponto de vista estritamente filológico está tão claro, respeitando sobretudo a tradição da romanística, realmente porque e a quem interessa seguir dizendo que o português é distinto e manter essa separação, e mesmo intentar, mediante a imposição de determinadas normativas, que a separação seja de facto mais grande?

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2 m. 34 s.

7
ANTOM MALDE:  E logo como crê você que se poderia artelhar esse processo querido por Castelao e por muitos mais de que o galego e o português se confundissem numa mesma língua, por dizê-lo assim, e o que levaria consigo como uma pauta comum para o que é todo o mundo pan-galaico?

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5 m. 13 s.

8
A.M.:  Neste processo de fusão das duas partes, que aportaríamos nós como propriamente nosso nesta tradição pan-galaica que eles, polo devir próprio deles como uma nação avançada hajam, digamos, esquecido? Ou seja, me refiro a não entregar-nos ao que alguns sectores reaccionários dizem de “pura e crua” colonização do português. Que pode aportar realmente a Galiza, como próprio da nossa cultura, a Portugal, para um enriquecimento mútuo? Se nós colhemos a porta curta, que é o que nós lhes podemos aportar também a eles?

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6 m. 49 s.

9
A.M.:  A seguinte pergunta, que engarça com esta, era isto: Como defender o galego quando a gente diz que só o entendemos nós? Que pulo de praticidade há em dizer-lhe à gente: “Mira, é que não é porque seja nossa. É que nos interessa sermos assim, não já por critérios, digamos, de autenticidade, que se não vamos seguir subdesenvolvidos, senão porque realmente nos vai interessar para saírmos fora”?

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5 m. 44 s.

10
A.M.: Então, como entende já a Galiza como fazedora de Europa? E que missão teria em tudo isto agora o caminho jacobeu?

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4 m. 42 s.

11
A.M.:  (...Dado) todo este programa, toda esta teoria, que tem uma base real, que se pode palpar, que é bastante... que é puramente racional, e até tem um pulo prático, que está aí, como surde todo o problema este de invenção duma nova língua romance, pero não romance do latim, senão espanhola, toda esta nova teoria linguística?

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2 m. 57 s

12
A.M.:  Então, este tipo de políticas linguísticas, se poderia englobar dentro dum contexto duma atadura mais a Espanha? Ou seja, duma atadura tanto institucional, chamada Xunta, digamos, como instituição vinda da Constituição espanhola, e ao nível cultural, que é muito mais palpável em questão de língua, de ter-nos aí agarrados, num processo, ademais, digamos que de autêntica assimilação, que chegaria a um ponto que seria já mais conveniente falar espanhol do que este sub-dialecto espanhol?

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7 m. 52 s.

13
A.M.:  E porque a nossa perseguição, a perseguição da rama reintegracionista?, em duas etapas: até há pouco tempo, e agora a nova perseguição, por exemplo no certame de poesia de Dobro. Bases do concurso: que seja em galego, mas galego normativo. Então, eu como sou negro já não podo participar, que só é para brancos. Tudo isto tem sòmente um carácter linguístico, ou político, ou será mais, digamos, epistemológico, ou seja, de estar arrastrando categorias mentais do passado, de épocas franquistas, dogmáticas, que tudo o que não vaia polo caminho, pola vara, se siga já...?

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3 m. 51 s.

14
A.M.:  E até para os escritores, então, esta política também suporia ter uma concepção da língua, também na literatura, puramente espanhola? Ou seja, chegaria a um ponto em que não seriam capazes, digamos, de aprofundizar mais, com esta pauta imposta? Nós não, porque temos a Portugal, ou seja, temos uma via esplêndida realmente.

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1 m. 29 s.

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