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Pensamento, crítica e criação em galego-português


Çopyright 22


 4 Dezembro 1996 http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait Corunha - Galiza

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Reflexão com o Iraque, Ruanda, Burundi
e tantos outros ao fundo

Carlos Velasco Souto


      Na minha opinião estamos a viver uma conjuntura enormemente semelhante à do estalido da II Guerra Mundial. Quiçá a única diferença seja que os horrores directos da guerra não nos afectam imediatamente a nós nesta ocasião. Os que sofrem os bombardeamentos e aportam a carne de canhão estão, decerto, em latitudes bem distantes; daí que na Europa não se perceba claramente a magnitude da tragédia.

      Assistimos ao surgimento de um novo tipo de fascismo a escala planetária. As suas formas externas são diferentes, sim. Mesmo é possível que, em rigor, devêramos chamá-lo de outro jeito (ou se quadra não, quem sabe?). Mas a sua essência criminal e genocida é exactamente a mesma. Não há cruzes gamadas nem braços em alto. Sim um idêntico desprezo pola vida e o direito alheios; o mesmo jeito arrogante, fachendoso e prepotente perante os “seres inferiores”: esses incivilizados terceiromundistas neste caso; igual espírito de cruzado civilizador e salva-pátrias. E o pior é que, a diferença daqueles anos trinta, não há resistência organizada frente ao avanço da barbárie. Não temos III Internacional nem cousa alguma.

      Velaí os tendes: os altos mandos U.S.A. e a sua greia de eunucos amestrados europeus, todos cheios e ufanos; esses homúnculos tão semelhantes àqueles franco-britânicos de 1939 que certeiramente denunciara dom António Machado: os que nos venderam ao fascismo na nossa guerra civil. A História colocará este montão de esterco humano no seu sítio. Mas quem sabe sequer se essa História será conhecida polas grandes maiorias herdeiras do desastre... Em todo o caso, quem há pagar as consequências do seu monstruoso crime? Que esperança haverá para os pobres deste mundo e para os homens e mulheres dignos que ainda fiquem, agora que até a U.R.S.S. desapareceu e os seus sucessores aceitam o rol de indignos monicreques-comparsa em troca da humilhante esmola de Ocidente?

      Tanto horror só é possível numa humanidade fundamente degradada.


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O foro dos assassinos

      Reuniu-se outravolta o conclave dos poderosos deste mundo: F.M.I., Banco Mundial e mais instituições da alta finança, os negócios e o poder político.

      Como em anteriores edições, gentes dignas da mais diversa condição mobilizaram-se em protesto contra a grotesca carnavalada dos carniceiros de traje e pasta-carteira.

      Por efeito das suas sábias, expertas e benfeitoras recomendações (ou simples chantagem disfarçada, mais bem), milhões de seres no mundo continuarão a afundir-se na desesperação e na miséria, perpetuará-se a depredação suicida do planeta, moreias de meninhos serão explorados, maltratados até à extenuação ou lançados sem contemplações à rua, quando já não sirvam ou sobrem; legiões de pessoas padecerão tortura e morte às mãos de sinistros funcionários de provada fidelidade ao desígnio de tão magnos e respeitáveis próceres.

      Eles, nem se inteiram.


De aqui pode ir também a Çopyright 42, um artigo de Jorge Durán
sobre Oligarquias e subdesenvolvimento.


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