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Pensamento, crítica e criação em galego-português


Çopyright 18


29 Outubro 1996      http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait       Corunha - Galiza

Inédito

António Ramos Rosa



ATÉ ONDE VÓS ESTAIS

Ó presenças amigas, ó momento
em que alongo o abraço e toco em cheio os rostos.
A minha língua abriu-se para dizer a face
do vento que percorre as vossas vidas.

Estou perante a noite mais profunda:
a delicada noite das raízes: vejo rostos,
vejo os sinais e os suores das vossas vidas.

Atravesso árvores submersas, ruas obscuras
poças de água verde, e vou convosco ter
minhas faces lívidas, mãe, amigos, amores.

A terra que penetro é este chão de terra
com as raízes feridas, com os ferozes pulsos,
a vertente que desço é uma subida às vossas vidas.

1973-74



Ficamos muito agradecidos a António Ramos Rosa por permitir-nos publicar este poema inédito e esta ilustração, que chegaram a nós das amáveis mãos de Pedro Diniz de Sousa e Pedro-Milhám Casteleiro, respectivamente. O texto foi escrito para a família também poeta do Pedro Diniz. O debuxo foi-lhe deixado ao Pedro-Milhám como lembrança duma tarde de assombros e conversas lá pelos finais dos oitenta, enquanto soava uma música, dizem, difícil de recobrar.

Dous povos que provavelmente são o mesmo reunem-se de novo neste espaço.

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