[ÇOPYRIGHT]

Pensamento, crítica e criação em galego-português


Çopyright 8


6 Julho 1996    http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait     Corunha - Galiza

Çopyright mudou o desenho de todos os seus números.

Mesmo para as cousas mais miúdas,
a sensação de imperfeição constante
é o motor da inutilidade das acções humanas.

Talvez Çopyright esteja a expandir-se,
em maneiras que se nos escapam.

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Gavetas de vidro

Pedro Diniz de Sousa

Pedro.Sousa@fcsh.unl.pt


     Será? Será que alguém vai cumprir a nossa vingança, nossa de milhões, os milhões que escrevem oprimidos ou libertados pela ideia de que esses textos se destinam à gaveta? O nosso acto - escrever - não tem sido mais do que uma alternativa à vida, a transplantação da vida no papel, num suporte eventualmente menos volátil do que o oxigénio. Escrever tem sido para nós saber que a gaveta continuará na nossa morte guardando os nossos textos, beleza da nossa existência. Assim, tenho para mim que em qualquer momento se me põem duas alternativas: viver e escrever. Porque enquanto escrevo, e por/para observar a vida, coloco-me do lado de fora da vida, transponho a fronteira da vida, e o momento em que a minha caneta toca no papel é o momento em que pára a respiração. A vida é acção e a escrita é o registo dessa acção. A escrita é a fotografia que mente, porque tal como a fotografia, ou reduz ou realça. Não reproduz, porque a palavra é um meio técnico demasiado rudimentar para proceder a uma clonagem. A escrita é a falsa prova.

     Se publicarmos os nossos textos, ou se os emprestarmos, ou os dissermos a alguém, ou sòmente se eles se tornarem visíveis, então há na escrita uma outra função, menos fundamental, mais mundana, que a arranca da solidão da morte.

     Será que vocês vão tornar as nossas gavetas visíveis? Será que vão encher de luz o acto obscuro de "meter na gaveta", que significa esquecer, arrumar aquilo de que já se não precisa?


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