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Pensamento, crítica e criação em galego-português


Çopyright 7


2 Julho 1996    http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait     Corunha - Galiza

Com data de 1995 saíu à luz na Corunha um volume de poesia
que contém o trabalho poético do grupo Hedral,
reunido ao abrigo da agrupação cultural
O Facho.
O livro, singelamente intitulado 7 POETAS, distribuíu-se gratuitamente.
No mesmo espírito livre e não comercial,

Çopyright continua neste número a reprodução sem fronteiras
da obra dos sete poetas.

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7 POETAS

François Davó

Uma botelha no deserto
O que é o exílio
A tolémia não tem cor
A longa jornada dos que falam do absoluto-lento
Resposta
Jamais um incêndio fora tão breve

Fim Fim de Çopyright 7


     Uma botelha no deserto

Forom caminhando no
centro do medo
e tinham a agilidade
do ruído solúvel.

Árvores fazendo
as maternidades do loito
árvores lentas.

O fogo e a sua lupa,
a minha avidez
sem mensages.


          O que é o exílio
     (poema em forma de jogo infantil)

Os meus sonhos abertos pecham a fala
A fala clara não cita provas
Provas uma droga máis doce
Doze messes de inverno na janela
Janela flor negra dos pesadelos meus


[A tolémia não tem cor]

1

     Um martelo medrou na minha cabeça, sem ruído. Nas notas necrológicas do jornal, sonhos e críticas de circo -e de cando em cando algum comentário sob as rugas.

2

     Deita o teu corpo numa lâmina de cristal. Agarda toda a noite, dormindo.
     Manhã terás os negativos dos teus pesadelos.

3

     Ti es a magia, ti a estafa. O martelo da tua cabeça crava o desejo de sonhar esperto, do lóstrego permanente na seiva do absoluto lento.


     A longa jornada dos que falam do absoluto-lento

Tremes e tes
a mestria do fume,

soas e semeas
as jóias do loito.


Resposta
(proposta de variação a um verso de P.M.C.)

à Táti

1

A cidade, ao longe,
lembra o rumor duma discussão repetida:

meu coração é de mármore
e as tuas mãos tamém tenhem a idade do universo.

Eu enteiro: um atopar torpe nas ruas do medo
uma estátua esculpida na cinza:
          eu enteiro: duas mãos para falar
para (ou não, depende)
marcar a culpa, a seriedade
     a mortalidade
          da alma.

2

É renhida a história do universo
é confusa a idade das minhas mãos
é parcial a idade do universo,
as minhas mãos tenhem melhor que uma idade
          tenhem feridas sem dor
          (o sorriso do tempo).

3

Eu não sou leitor dos teus deuses
eu não repito o lume, a sua noite prometida
eu, nos bairros baixos,
sou só a garda das ruínas.
E mentirei, e mentirei moito máis
e não sei
          se
a minhas mãos terão a mocidade do universo.

Porém, embora o que sei e não sei
          terás ti a martelada
     do universo
                    nas tuas mãos.


Jamais um incêndio fora tão breve:

hoje pudem recolher as verdades polidas
no fundo do mar.

Depois de trabalhar,
o tempo gosta de oferecer-se jogos inúteis
          antologia de danças de coitelos
          ou as rugas tiritando nas gretas do espelho,

e em seguida limpa e seca a folha dos coitelos
          nas lápides.

Escoitei os sonhos que não lavravam o cérebro.

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