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Pensamento, crítica e criação em galego-português


Çopyright 4


9 Junho 1996    http://www.udc.es/dep/lx/cac/sopirrait     Corunha - Galiza

Com data de 1995 saíu à luz na Corunha um volume de poesia
que contém o trabalho poético do grupo Hedral,
reunido ao abrigo da agrupação cultural
O Facho.
O livro, singelamente intitulado 7 POETAS, distribuíu-se gratuitamente.
No mesmo espírito livre e não comercial,

Çopyright continua neste número a reprodução sem fronteiras
da obra dos sete poetas.

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7 POETAS

Táti Mancebo

Memória do fogo elemental

A sombra da máscara
Um grito criador
Nas esquinas do conhecido
As arestas da sombra do tempo
Sentimos a conversa do tempo
Traições ocultas à mesma sombra
Com a chegada da tarde
CANÇÃO DO BUFÃO

Fim Fim de Çopyright 4


A sombra da máscara
revela mais que ocos
revela (também) arestas difusas
forcas rígidas de areia viva
que domeiam ao som do milho
serôdio do último acto.


Um grito criador
de sonho de espanto
escorrega subtil
pela mesma garganta
que ontem calou mesta.
A destreza da sombra
descansa na sua matéria
que ressalta as formas conhecidas
das suas esquinas.


Nas esquinas do conhecido
descobrirás a sombra
As luzes de mármore opaco
cegarão o som
Os sons azuis da pedra
e as pingas umbrias martelam
os luxos vãos.


As arestas da sombra do tempo
encalham sentidas no sonho
e despertam sem trégua
abafantes a nos maltratarem
por deixa-las ficar mudas
por abrir-lhes
uma boca sem cordas
que grita silêncio.


Sentimos a conversa do tempo
e tão seguros
queimamos a sombra
sabemos que, quando menos
desta volta, não arderá
Há mais semelhanças
que cortes na espinha da sombra
há mais cortes
que sombras nas esquinas do nada.


Traições ocultas à mesma sombra
percorrem claras os sendeiros da calma
mas não é como pensamos
ficam outras muitas pequenas
traições que nos aguardam
quedas
que nos chamam
a derreterem o mistério da neve
ansiamos que digam nosso
nome com força
até cair fulminados pelo desejo
branco
da relva com olor a manhã.


Com a chegada da tarde
as aves deglutem ilusões perversas
consagram a carniça à
sombra do sol
com frequência perdem toda noção
ignoram o arco-íris
abafadas por uma só cor
seus estômagos mastigam dentes
negros
e mui raras vezes entoam os
cantos devidos ao corpo
descansam da inactividade
até produzirem um novo despojo
que convertem em ilusões perversas
da cor de uma tarde
de dentes negros.


CANÇÃO DO BUFÃO

A sombra magnifica as feridas
da rocha
Não toqueis a rocha
essa máquina de
fazer
sombras
pois trás a sombra
nada há.

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