Poseidónia
 Verão 1997 Número 0


Terramoto cerebral com epicentro na Corunha

A
Atlântida é uma Ilha lendária, um continente mítico, submergido no oceano Atlântico por causa de um terramoto. Dizia-se dela que era um estado ideal, com alto grau de civilização e que a vida dos seus habitantes era incomparavelmente feliz. A Atlântida era, pois, o perfeito modelo de organização política e social. As lendas dim que o continente foi outorgado ao deus Poseidon -o Neptuno romano- que fundou uma cidade como capital de tão vasto império. A cidade, Poseidónia, era uma prodigiosa obra de engenharia, inigualável em funcionalide, em harmonia.
      Mas a corrupção dos homens, escrevia Platão, foi arruinando esta milagrosa experiência história até provocar a cólera de Zeus, quem determinou a destruição do continente, engolido polo oceano.
      A história da Atlântida é a história da dificuldade dos humanos para conservar o equilíbrio. Digo conservar, porque a harmonia, política e privada,

Não se trata tanto de renovar as peças do jogo quanto de aprender a jogar
já a tivemos e já a perdemos -ou polo menos isso pretende contar-nos esta história. Ou seja, que não se trata tanto de renovar as peças do jogo quanto de aprender a jogar, de recuperar e manter o verdadeiro sentido da arte, da política, da ciência, da vida em geral.

      É para tudo isto que vem, humilde como um tremor de terra, esta revista para navegantes, que se chama Poseidónia.

Companhia Poética da Meia-Noite
Avião de Poemas

O Avião de Poemas sobrevoa a cidade da Corunha

-QUATRO PALAVRAS-

Votar ou não sofrer
Sebastião Branco
A
s eleições galegas do próximo outono confrontam-nos de novo com a incertidão de votar e sofrer; ou de não fazê-lo, e padecer também os desmandos de uma classe política que vive (bem) de costas aos representados.
      Nestas circunstâncias creio que é muito preciso adoptar uma atitude civil encaminhada à eliminação de um dos maiores males públicos, a falta de controlo dos actos e decisões dos representantes políticos. É preciso fazer saber aos governantes que a sua
função não é a de conduzir-nos nem proteger-nos, como se fôssemos menores de idade, senão a de obedecer fielmente o mandato dos cidadãos e a de dar contas verazes da sua gestão.
      Desconfio profundamente do mandatário que não oferece a sua contabilidade pessoal ao público, ou daquele cuja vida política dá como resultado o enriquecimento da sua família. Propriamente seu ofício é o delito. E os que votassem nele são vítimas e cúmplices de todos os seus actos de latrocínio e desgoverno.

  índice:   Instruções para fabricar um avião de poemas ........ página 2
  Poemas de António Gancho e de Mário Cesariny ........ página 3
  Presente para o leitor: planta do Avião de Poemas ........ página 4

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